terça-feira, 24 de abril de 2018

FALANDO SÉRIO SOBRE APOCALIPSE 12 - PARTE 5


Na preparação original do matrimônio judaico, o jovem fazia uma visita à casa de sua pretendente para, perante a família dela, pedi-la em casamento. Então, após ela aceitar à proposta, o noivo pagar ao seu sogro o preço (dote) posto sobre sua amada e o casal ser declarado "marido e mulher", o noivo pronunciava um anúncio solene de que voltaria à casa de seu pai para preparar um lugar para sua esposa. Somente após o tal lugar ficar pronto é que, sob autorização de seu pai (que verificava se tudo estava realmente preparado) é que, enfim, ele retornava para buscar sua noiva. Entretanto, não havia qualquer prazo estipulado para essa volta. Se alguém perguntasse ao noivo quando seria seu retorno, tradicionalmente ele responderia da seguinte forma: "Ninguém sabe, exceto o meu pai". Há sim, um tempo fixado para a lua de mel no "lugar preparado". Esse lugar é chamado de Chaddar (câmara) ou Shoupah (cama de lua de mel), ambos significados que remetem a um quarto de núpcias. Contudo, não um quarto de núpcias comum, e sim um cômodo plenamente abastecido de provisões que permitiam ao casal passar uma semana trancado dentro dele sem necessitar de nada. Repetindo: após retornar e levar sua noiva para a casa de seu pai, o noivo se trancava com ela no lugar preparado, que consistia num aposento provido de tudo (água, comida, roupas, banheiro...). Isso lhes permitia desfrutar dos 7 dias de lua de mel definidos na tradição judaica sem que precisassem interagir com o resto da sociedade. Somente após findar a semana de núpcias é que, finalmente, os noivos saíam da câmara para que a festa de casamento tivesse início. Mais informações sobre o tema podem ser conferidas no livro As Festas Judaicas do Antigo Testamento, do Dr. Grady Shannon McMurtry.

Tudo o que relatei acima é extremamente instigante, porém quero me ater somente a um pequeno detalhe citado: o fato de, originalmente, o noivo levar sua noiva para um aposento da casa de seu pai chamado "câmara" ou "quarto de núpcias", pois isso remete direto a João 14.2-3, em que se encontra uma declaração áurea acerca do arrebatamento:

Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.

E a coisa só fica ainda mais interessante quando lemos estes mesmos versículos na Bíblia LTT (Bíblia Literal do Texto Tradicional), cuja tradução para "moradas" coincide, por sinal, com a da King James Fiel: "mansões". Creio que a passagem acima seja um belo exemplar do tamanho do amor que Deus nutre por seus filhos. Aquilo que, na Terra, se dá através de um cômodo numa casa, no céu se dará numa mansão. 

Livrou-me do meu inimigo forte e dos que me odiavam, pois eram mais poderosos do que eu.
Surpreenderam-me no dia da minha calamidade; mas o Senhor foi o meu amparo. 
Trouxe-me para um lugar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em mim. - Salmos 19.17-19

Um livramento do dia da calamidade onde a pessoa é levada para um lugar espaçoso. O que isso lembra mesmo, hein? 

Invoquei o Senhor na angústia; o Senhor me ouviu, e me tirou para um lugar largo. - Salmos 118.5

Retirada da angústia para "um lugar largo". Muito interessante, não?

Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. - Isaías 26.20 (ACF)

Isaías 26.17-21 talvez seja a passagem mais clara de toda a Escritura sobre o arrebatamento, pois demonstra passo a passo como ele se dará (é importante salientar que, do capítulo 24 em diante, o livro de Isaías é conhecido como "o pequeno Apocalipse de Isaías", visto realmente tratar dos tempos finais). Nela, além de vermos "para variar" a menção a uma grávida com dores de parto, presenciamos de forma explícita à ideia de pessoas sendo abrigadas em quartos. Inclusive, a King James traduz os tais quartos como câmaras, que nada mais é que o Chaddar para onde o noivo levava a noiva no casamento judaico original.

Como a mulher grávida, quando está próxima a sua hora, tem dores de parto, e dá gritos nas suas dores, assim fomos nós diante de ti, ó Senhor! Bem concebemos nós e tivemos dores de parto, porém demos à luz o vento; livramento não trouxemos à terra, nem caíram os moradores do mundo. Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos. Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. Porque eis que o Senhor sairá do seu lugar, para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniqüidade, e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seu mortos.

Vamos destrinchar à passagem acima: 1- Israel se compara a uma mulher com dores de parto ("assim fomos nós diante de ti, ó Senhor"). 2- Ela dá à luz o vento. Ora, vento em hebraico é "ruach", que se aplica também ao Espírito Santo. Não à toa, o Espírito Santo sobe com a igreja no arrebatamento (nada mais lógico, já que estamos falando do "corpo de Cristo"). Aliás, o sentido de "ruach" aplicado aqui (vento) nos remete a um arrebatamento muito famoso: E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho. - 2 Reis 2.11. 3- Agora, ele começa a detalhar o arrebatamento: primeiro, a ressurreição dos mortos (e sabemos não ser a de Mateus 27 ou qualquer outra que não seja a do arrebatamento porque o próprio Isaías se inclui no evento). 4- Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. - Precisa comentar este trecho? 5- Por fim, acontece a ira simultânea do Pai sobre o mundo. Detalhe: é dito que a terra não encobrirá mais os seus mortos. É precisamente isso o que vemos em Apocalipse 20.13: E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.

Agora, se tem uma sentença misteriosa nas Escrituras, ela é, sem dúvida, a segunda oração presente em Oséias 4.16. 

Porque como uma novilha obstinada se rebelou Israel; agora o Senhor os apascentará como a um cordeiro num lugar espaçoso.

Evidente que, historicamente, o versículo se refere à idolatria que tomou conta de Israel e teve na invasão assíria a personificação do juízo divino sobre eles. Contudo, creio que haja um forte teor profético em sua segunda sentença que está diretamente ligado ao arrebatamento, pois seria no mínimo estranho que Deus estivesse se referindo aos próprios israelenses corrompidos ao declarar que os apascentaria como a um cordeiro num lugar espaçoso, principalmente quando lemos no capítulo seguinte: Então irão com os seus rebanhos, e com o seu gado, para buscarem ao Senhor, mas não o acharão; ele se retirou deles (Oséias 5.6). É tão complicado fornecer uma solução a essa aparente contradição, que várias traduções bíblicas chegam ao cúmulo de criminosamente interpretarem o versículo, ao invés de traduzi-lo. Eis alguns exemplos de alterações promovidas por elas:

Os israelitas são rebeldes como bezerra indomável. Como pode o Senhor apascentá-los como cordeiros na campina? - NVI

O povo de Israel é teimoso como uma vaca brava. Não posso cuidar do meu povo como um pastor cuida das ovelhas num pasto grande. - NTLH

Como vaca rebelde, se rebelou Israel; será que o SENHOR o apascenta como a um cordeiro em vasta campina? - ARA

Pois Israel se tornou obstinado igual a uma vaca obstinada. É agora que Jeová os pastoreará como a um carneirinho num lugar espaçoso? - TNM

O povo de Israel é rebelde e teimoso como uma bezerra selvagem. Como poderá Yahweh
apascentar sua gente como cordeiros na campina? - KJA

Isso se chama desonestidade intelectual ou, se preferir, blasfêmia. Eu poderia muito bem me apropriar de qualquer uma das traduções acima para facilmente validar o que direi aqui, porém sempre preferirei lidar com aquilo que o próprio Deus disse, não com ajustes humanos carregados pela pretensão de aperfeiçoar o que o Criador inspirou. O fato é: Oséias 4.16 aparenta sim, uma contradição. Todavia, só um idiota creria na existência de uma contradição ocorrida dentro de um mesmo versículo bíblico, de modo que a única coisa que nos resta é aceitar a estranheza do texto e trabalharmos em cima do material que o próprio nos fornece. Para isso, precisamos partir do início do capítulo referido, cujos três primeiros versículos se referem aos gentios. Logo no versículo 1, Deus fala sobre uma Terra completamente desprovida de verdade, benignidade e conhecimento de Deus.

Ouvi a palavra do SENHOR, vós filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra; porque na terra não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus.

Isso bate precisamente com a descrição fornecida por Amós acerca da Terra no período da Tribulação, isto é, após o arrebatamento que retira os pregadores do Evangelho do planeta (lembre-se: na Tribulação, a salvação não se dará pela conversão a Cristo, e sim pela negação à marca da besta e pelo apoio a Israel).

Eis que vêm dias, diz o Senhor DEUS, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR. E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor, mas não a acharão. - Amós 8.11-12

Percebeu? Na Terra citada por Oséias, não há verdade. Segundo as próprias Escrituras, a verdade é...

Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. - João 17.17

Além disso, Oséias reforça não haver conhecimento de Deus. Não duvido que seja por causa da atuação do Anticristo, bem como pelo simples fato de que entre o arrebatamento e a selagem dos 144 mil judeus não haverá qualquer conversão ao Evangelho no planeta (sim, o conhecer a Deus, nas Escrituras, não diz respeito a ouvir falar, e sim a novo nascimento).

O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus. - 2 Tessalonicenses 2.4

E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; - Romanos 1.28

Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? - Gálatas 4.8-9

Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele. - I João 3.1

Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro. - I João 4.6

O versículo 3 de Oséias 4 também remete fortemente à Tribulação, já que cita a grande mortandade que se abaterá sobre o mundo. 

Por isso a terra se lamentará, e qualquer que morar nela desfalecerá, com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar serão tirados. - Oséias 4.3

A partir do versículo 4, o capitulo já toma rumos que creio serem o de um duplo sentido: exortativo (para Israel) e profético (para os judeus da Tribulação). Percebam que, mesmo reconhecendo a podridão do mundo gentílico durante a Tribulação, Deus meio que dá um "cala boca" nos judeus enfatizando que nenhum deles pode contender ou efetuar repreensão contra ninguém. E, para completar, sentencia no versículo 5 que destruirá "a mãe deles" (não "as mães"), o que imediatamente nos lembra da primeira parte deste estudo, onde vimos:

O que se entende por alegoria; porque estas são as duas alianças; uma, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos. - Gálatas 4.24-25

Todavia ninguém contenda, ninguém repreenda, porque o teu povo é como os que contendem com o sacerdote. Por isso tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe. - Oséias 4.4-5

Quando chegamos ao famoso versículo 6, lemos sobre a rejeição de Deus a Israel, algo que resultará justamente no fato dos cristãos, e não dos judeus, serem arrebatados. 

O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. - Oséias 4.6

Os nove versículos seguintes são construídos em cima da declaração dada no 6, todos ressaltando os pecados de Israel. A coisa só muda de figura justamente quando nos deparamos com a segunda sentença do versículo 16: 

agora o Senhor os apascentará como a um cordeiro num lugar espaçoso.

A conclusão tirada por mim não poderia ser diferente: o artigo definido "os" se refere a "eles", não a "tu" ou "vós". Entendo, em outras palavras, que esses "os" sejam a igreja tanto quanto "o que o detém" de 2 Tessalonicenses 4.6. Sim, vejo Oséias aqui falando daqueles que, numa direção oposta ao que foi dito no versículo 6, não rejeitaram o conhecimento e não esqueceram da lei de Deus (a lei estabelecida em sua dispensação, evidentemente). Dentro da minha interpretação, o versículo seria da seguinte maneira: Porque como uma novilha obstinada se rebelou Israel; agora o Senhor apascentará a eles (os cristãos) como a um cordeiro num lugar espaçoso. E que lugar espaçoso e esse? Precisamente a mansão que cada arrebatado terá para si (também chamada de "lugar espaçoso" no salmo 19, "lugar largo" no salmo 118 e "câmara" em Isaías 26. Não custa lembrar que estamos falando do mesmo profeta que, segundo vimos no estudo anterior, lançou uma profecia em Oséias 13.14 que, por sua vez, recebeu a determinação do Espírito Santo em I Coríntios 15.54 de só se cumprir no arrebatamento. 


Finalizando o capítulo, Deus fala sobre a conduta idólatra dos governantes de Israel (que entendo ser sua aliança com o Anticristo) e um certo par de asas envolvidas por um vento que surge junto a um sentimento de vergonha (que creio piamente consistir na constatação que os judeus terão de que o messias que vinham adorando é o Anticristo, bem como a fuga para o deserto que a mulher de Apocalipse 12 faz com seu par de asas).

Efraim está entregue aos ídolos; deixa-o. A sua bebida se foi; lançaram-se à luxúria continuamente; certamente os seus governadores amam a vergonha. Um vento os envolveu nas suas asas, e envergonhar-se-ão por causa dos seus sacrifícios. - Oséias 4.17-19

E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente. - Apocalipse 12.14

Ora, quando vós virdes a abominação do assolamento, que foi predita por Daniel o profeta, estar onde não deve estar (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judéia fujam para os montes. E o que estiver sobre o telhado não desça para casa, nem entre a tomar coisa alguma de sua casa; E o que estiver no campo não volte atrás, para tomar as suas vestes. Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias! - Marcos 13.14-17

Leandro Pereira

segunda-feira, 23 de abril de 2018

FALANDO SÉRIO SOBRE APOCALIPSE 12 - PARTE 4



Nas partes anteriores deste estudo identificamos três passagens claramente ligadas a Apocalipse 12: Salmos 2.7-9, Isaías 54.1 e Gálatas 4.27. Das três, as duas últimas citam as dores de parto da mulher solitária que, na analogia traçada em Gálatas 4, diz respeito à Jerusalém terrena, de onde veio o Messias cujo corpo somos nós, cristãos (Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. - João 4.22).  

Porquanto está escrito: Alegra-te, ó estéril, que não dás à luz; esforça-te e grita, tu que não tinhas dores de parto, pois a abandonada tem muito mais filhos do que aquela que tem um marido. - Gálatas 4.27 (King James Fiel)

Canta alegremente, ó estéril, que não deste à luz; rompe em cântico, e exclama com alegria, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher solitária, do que os filhos da casada, diz o SENHOR. - Isaías 54.1

Neste ponto, cabe mostrar um pouco mais do capítulo 54 de Isaías, de modo que não restem dúvidas quanto à tal estéril ser a Jerusalém celestial:

Porque transbordarás para a direita e para a esquerda; e a tua descendência possuirá os gentios e fará que sejam habitadas as cidades assoladas. - Isaías 54.3

Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; que é chamado o Deus de toda a terra. - Isaías 54.5

Toda a ferramenta preparada contra ti não prosperará, e toda a língua que se levantar contra ti em juízo tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor, e a sua justiça que de mim procede, diz o Senhor. - Isaías 54.17

No entanto, há um versículo em Isaías 54 que pulei propositalmente por abrir um parêntese todo especial agora:

Por um breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias te recolherei; - Isaías 54.7

Quem é referido na Bíblia como esposa de Cristo? 

Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos. - Apocalipse 19.7-8

Se, por um lado, a Bíblia traça uma analogia em que os cristãos na Terra são filhos da esposa, por outro Ela os trata como a própria esposa a partir do instante em que eles moram nela. 

Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. - Apocalipse 22.14

E veio a mim um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro. E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu. - Apocalipse 21.9-10

E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. - Apocalipse 21.2-3

Sendo assim, acho muito provável que "o recolher da esposa após tê-la deixado por um breve momento" se refira ao arrebatamento da igreja, sendo o "breve momento" o período compreendido entre o arrebatamento do Messias e o arrebatamento da igreja. Reparem que não estou forçando nada aqui. Chegamos a Isaías 54 mediante a paráfrase que Gálatas 4.27 faz de seu primeiro versículo durante uma exposição na qual os cristãos são tidos como filhos da cidade santa. E sabemos que esses mesmos cristãos são considerados "a mulher do Cordeiro" por Apocalipse quando passam a habitá-la. Se prosseguirmos com mais alguns versículos de Isaías 54, veremos também:

Porque isto será para mim como as águas de Noé; pois jurei que as águas de Noé não passariam mais sobre a terra; assim jurei que não me irarei mais contra ti, nem te repreenderei. - Isaías 54.9

Após a promessa de recolhimento da mulher, vem a promessa de que não mais haverá ira sobre ela. Muito sugestivo, não? 

E esperar dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura. - I Tessalonicenses 1.10

E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará. - Mateus 3.11-12

Um outro caso parecido com a correspondência entre Gálatas 4.27 e Isaías 54.1 é o de I Coríntios 15.54-55, passagem onde, após discursar explicitamente acerca do arrebatamento, Paulo finaliza dizendo: 

E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.
Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?

Ao procurarmos saber, então, qual é o trecho das Escrituras parafraseado pelo apóstolo, descobrimos tratar-se de Oséias 13.14:

Eu os remirei da mão do inferno, e os resgatarei da morte. Onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua perdição? O arrependimento está escondido de meus olhos. - Oséias 13.14

Todavia, o pulo do gato vem agora: se, em I Coríntios 15.54-55, temos as indagações à morte e ao inferno logo após uma descrição do arrebatamento, em Oséias 13.14 as mesmas indagações acontecem depois que são citadas as dores de parto de Israel por sua insensatez.

Dores de mulher de parto lhe sobrevirão; ele é um filho insensato; porque é tempo e não está no lugar em que deve vir à luz. - Oséias 13.13

O versículo 54 de I Coríntios 15 afirma claramente que a palavra de Oséias 13.14 só se cumprirá no arrebatamento. 

E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.

A Bíblia está literalmente afirmando aqui que as dores de parto da Israel simbolizam o arrebatamento. 



Isso não é tudo. Uma coisa puxa outra, de modo que o final do versículo 13 de Oséias 13 lemos que Israel (representada por Efraim) "não está no lugar em que deve vir à luz". Isso nos leva a I Tessalonicenses 5.2-4:

Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite;
Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas.


A escrava (Israel) sim, sofre dores de parto por, segundo Oséias, "não estar no lugar em que deve vir à luz". Já os cristãos "não estão em trevas" e são chamados de "filhos da luz". O parto será o arrebatamento, que se dará em algum momento no qual Israel estará sofrendo duramente (o que é muito difícil precisar, já que estamos falando de uma nação que é odiada cotidianamente pelo resto do mundo).

Leandro Pereira

FALANDO SÉRIO SOBRE APOCALIPSE 12 - PARTE 3



Se o Senhor Jesus é o cabeça da igreja, logo a igreja é seu corpo. Até aqui, nenhuma novidade, certo?

E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. - Colossenses 1.18
E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos. - Efésios 1.22-23

Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. - Efésios 5.23

Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos. - Efésios 5.29-30

Nas passagens acima, é incontestável o ensino de que a igreja (os salvos presentes nas assembleias locais) compõem espiritualmente o corpo do Messias. A real dinâmica por trás disso, como a própria Palavra afirma, é um "grande mistério"; porém seja lá o que for deixa claro, sob uma intensidade tamanha, que Jesus e seus seguidores são absolutamente inseparáveis.

Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. - Efésios 5.31-32

Chegamos, então, ao núcleo deste estudo: a revelação de que a criança arrebatada em Apocalipse 12.5 é tanto o Messias, quanto seu corpo. Inegavelmente Jesus foi arrebatado aos céus 40 dias após sua ressurreição.

E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. - Atos 1.9 - Obs: o termo grego "harpazo" traduzido por "arrebatamento" em Apocalipse 12.5 é o mesmo que, em Atos 1.9, é traduzido como "elevado" ou, numa tradução literal, "tomado".

E, estas coisas havendo Ele dito e [enquanto] contemplando-O eles, foi Ele tomado para o alto, e uma nuvem O recebeu para longe dos olhos deles. - Atos 1.9 (LTT).

Agora, reparem: Cristo, o cabeça, foi arrebatado algum tempo depois de morrer e ressuscitar. Ora, não é, no mínimo, instigante o fato de que o novo nascimento pelo qual passa todo cristão venha a ser justamente um processo de morte e renascimento espiritual que o próprio Espírito Santo declara estar diretamente ligado à morte e ressurreição de Jesus?

Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. - Romanos 6.3-4

Ao menos para mim, fica claro aqui que qualquer crente genuíno de qualquer época ou lugar está metaforicamente situado no tempo ocorrido entre a ressurreição do Senhor Jesus e seu arrebatamento. Em outras palavras, estamos "atravessando os 40 dias" até o arrebatamento. 

E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho. - Apocalipse 12.4

Neste momento da história humana, o dragão está realmente encarando à mulher sob a expectativa de que, dando ela à luz, consiga tragar a criança. É exatamente isso que Satanás está fazendo com cada cristão neste mundo, conforme nos informa o Espírito Santo em I Pedro.  

Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; - I Pedro 5.8

Surpreende que o mundo esteja cada vez mais inclinado contra Israel? Surpreende que Israel esteja sofrendo como nunca antes tanto no aspecto físico (sanções, conflitos bélicos, boicotes, antissemitismo...), quanto no espiritual (paganismo, falsos judeus, imoralidade...). Definitivamente, Israel se encontra sofrendo dores de parto. Não à toa, diga-se de passagem, na primeira parte deste estudo lemos em Gálatas a reprodução de uma profecia de Isaías em que a estéril (a Jerusalém celestial, representada por Sara) é exortada precisamente a ficar alegre por não estar sofrendo dores de parto como a escrava (a Jerusalém terrena, representada pela escrava Agar). 

Porquanto está escrito: Alegra-te, ó estéril, que não dás à luz; esforça-te e grita, tu que não tinhas dores de parto, pois a abandonada tem muito mais filhos do que aquela que tem um marido. - Gálatas 4.27 (King James Fiel)

Canta alegremente, ó estéril, que não deste à luz; rompe em cântico, e exclama com alegria, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher solitária, do que os filhos da casada, diz o SENHOR. - Isaías 54.1

Evidentemente não serei louco de ignorar a forte referência que Apocalipse 12 faz ao passado, mais especificamente à queda de satanás e ao nascimento do Messias. Contudo, eu estaria sendo igualmente louco se considerasse que a cronologia do Apocalipse foi interrompida no capítulo 12 unicamente para narrar, sob aspectos simbólicos, uma história que qualquer crente já está careca de saber (e sem nada acrescentar de novo, a menos que alguém literalizasse que Maria realmente criou asas). Seria uma visão que, além de mostrar-se completamente deslocada e desconexa frente às demais visões do livro, em nada agregaria à revelação ali estabelecida. Simplesmente não há qualquer visão em Apocalipse que trate exclusivamente do passado, então por que eu deveria pensar isso do capítulo 12? A verdade é que se trata de uma mesma visão para dois momentos históricos distintos porque ambos não somente exibem um perfeito encaixe sobre o "desenho" que João viu, como também são inteiramente dependentes um do outro. Na visão, a criança é arrebatada de uma só vez, mas em nossa realidade a cabeça foi antes do corpo, por isso teremos uma "nova versão" desse filme que, embora diferente da primeira, não deixa de alinhar-se à visão. Sabe quando você assiste a um filme inédito e, depois que ele acaba, fica com a sensação de já tê-lo visto em algum lugar? Isso ocorre porque é muito comum, na indústria cinematográfica, a existência de um esqueleto de roteiro que apenas pontue os tópicos principais de uma trama, porém deixando em aberto diversos campos a serem preenchidos depois. Então, quando acontece de, numa emergência, o estúdio precisar "pra ontem" de um roteiro, por exemplo, para um filme de terror com vampiros, o roteirista já tem um esqueleto guardado que venha a facilitar a rápida elaboração de uma trama restando apenas definir itens básicos como personagens, época, cenário e etc... Pense nos cumprimentos de Apocalipse 12 como dois filmes baseados no mesmo esqueleto de roteiro (a visão de João) para compreender melhor o que estou tentando explicar.  

Parece estranho que uma mesma visão profética aponte dois cumprimentos distintos, porém semelhantes; sendo um no passado e outro no futuro? Certamente Isaías não pensou assim quando recebeu uma profecia sobre o rei da Babilônia que, simultaneamente, tratou da queda de Lúcifer (Isaías 14). O mesmo digo em relação a Ezequiel, que profetizou sobre o futuro do príncipe de Tiro e, ao mesmo tempo, revelou detalhes do passado de Lúcifer (Ezequiel 28). É exatamente essa que entendo ser a dinâmica de Apocalipse 12: uma visão que se inicia com o histórico de Satanás, mas que não deixa de olhar para o futuro.   

Na próxima parte deste estudo, veremos algumas passagens bíblicas (inclusive no Antigo Testamento) que indicam ser Apocalipse 12 o arrebatamento pré-tribulacional.



Leandro Pereira 

domingo, 22 de abril de 2018

FALANDO SÉRIO SOBRE APOCALIPSE 12 - PARTE 2


Nos capítulos 11 e 12 de Apocalipse, vemos a estrutura cronológica da narrativa ser quebrada para que sabiamente o texto trate em separado os eventos que, embora tenham se cumprido ao longo da abertura dos 7 selos e de 6 trombetas, não fazem parte da ira divina (o ministério das duas testemunhas e o parto da mulher). Somente a partir do versículo 6 do capítulo 12 é que sequência prossegue da onde havia parado. Notoriamente a mulher vista por João simboliza Israel (sabemos disso porque ela se veste dos elementos vistos no sonho de José, sendo eles uma representação de José e sua família, que são precisamente aqueles que encabeçaram o nascimento de Israel como nação).

E teve José outro sonho, e o contou a seus irmãos, e disse: Eis que tive ainda outro sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam a mim. E contando-o a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o seu pai, e disse-lhe: Que sonho é este que tiveste? Porventura viremos, eu e tua mãe, e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra? - Gênesis 37.9-10

E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. - Apocalipse 12.1

Notem: ela se veste do sol que, no sonho de José, era o patriarca Israel (outrora Jacó); tem a lua debaixo de seus pés (Raquel, a mãe de José em estado de submissão ao marido Israel); e uma coroa de doze estrelas (as 12 tribos de Israel que, no sonho, são os 12 filhos do patriarca).

Então, essa mulher dá à luz um filho e, no momento em que a criança está prestes a ser devorada pelo dragão (que é o próprio Diabo, conforme nos informa Apocalipse 12.9), ela é arrebatada para o céu. É quando surge a pergunta: quem é esse filho? A resposta não poderia ser diferente: Ele é o Senhor Jesus. Todavia, há uma surpresa aqui que pretendo guardar para mais adiante. Por hora, compare os textos abaixo:

deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono. - Apocalipse 12.5

E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. - Apocalipse 19.15

Proclamarei o decreto: o Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. - Salmos 2.7-9

Ainda resta alguma dúvida de que o filho mencionado em Apocalipse 12 seja o próprio Jesus? Caso reste, recomendo que leia à exegese que os crentes de Jerusalém fizeram do salmo 2 em Atos 4.

Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vàs? Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. - Salmos 2.1-3

E, ouvindo eles isto, unânimes levantaram a voz a Deus, e disseram: Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu, e a terra, e o mar e tudo o que neles há; Que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram os gentios, e os povos pensaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, E os príncipes se ajuntaram à uma, Contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; - Atos 4.24-27 - Obs: na Bíblia King James (não a traduzida em português, e sim a original de 1611), ao invés de "santo Filho Jesus", vemos "santo menino Jesus". Em sua nota sobre Atos 3.13 da Bíblia LTT, o tradutor Hélio de Menezes não nega que o grego pais admita o uso de criança ou menino (conforme, de fato, testemunha o dicionário grego no item 3816). Se considerarmos que esta passagem de Atos (cujo discurso, inclusive, também teve a participação de João) é uma paráfrase do salmo 2 que, por sua vez, não somente trata da geração do Messias (geração essa que só pode ser seu nascimento humano, uma vez que Jesus é Deus e, sendo assim, sempre existiu espiritualmente), como é levemente referido em Apocalipse 12 no tocante ao futuro e rígido governo daquele bebê arrebatado; concluímos que a King James foi extremamente feliz em sua escolha. 

E por falar em reger as nações com vara de ferro, quem mais vemos a Bíblia dizer que fará isso mesmo, hein? Nós, os cristãos. 

E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações, E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai. - Apocalipse 2.26-27

Aliás, deu para perceber novamente a presença do salmo 2 em Apocalipse? 

Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. - Salmos 2.9

Guarde essa informação: os cristãos genuínos (pessoas convertidas verdadeiramente, ou seja, que passaram pelo novo nascimento e , hoje, abominam o pecado e possuem o Evangelho como prioridade em suas vidas), irão reger o mundo durante o milênio sob a liderança direta de Cristo e farão isso com vara de ferro (de modo severo). Entretanto, não é essa a única correspondência entre o menino arrebatado e os crentes. Investigaremos isso mais a fundo na próxima parte deste estudo.

Leandro Pereira

FALANDO SÉRIO SOBRE APOCALIPSE 12 - PARTE 1



Algo que certamente passa longe de ser um sentimento natural é o ódio que certos filhos manifestam contra suas mães. Creio que todo cristão concorde com isso, certo? Negativo. Se todo cristão concordasse com isso, não existiriam movimentos antissemitas dentro do cristianismo, visto que Israel é nossa mãe espiritual (obviamente não feito uma entidade pessoal e digna de adoração; mas como berço da Palavra divina entre os homens, da encarnação do Messias e do surgimento da igreja). Portanto, apoiar à "mãe Israel" nada mais é do que acreditar nos inúmeros cumprimentos proféticos  que já se deram através dela e aceitar de bom grado aquilo que Deus prometeu realizar futuramente com essa nação. Eu diria que odiar ou desprezar a Israel é uma coisa tão antinatural à doutrina bíblica que vem a ser uma sinalização precisa de que o "cristão" que manifesta tais sentimentos ainda não foi apresentado ao novo nascimento.

Em Gálatas 4 (versículos 22-28), Paulo traça uma interessante analogia na qual Sara (esposa de Abraão) representa a Jerusalém celestial, ao passo que a escrava Agar (que serviu de barriga de aluguel para Sara) representa a Jerusalém terrena. Vamos ao texto:

Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre. Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas, o que era da livre, por promessa. O que se entende por alegoria; porque estas são as duas alianças; uma, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós. Porque está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz; Esforça-te e clama, tu que não estás de parto; Porque os filhos da solitária são mais do que os da que tem marido. Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa como Isaque. 

Percebam: nós, cristãos, somos filhos legítimos da livre (a "de cima" e que "tem marido"), porém fomos gerados pela escrava (a "solitária"). E, antes que alguém mencione a citação a Isaque (que foi um filho do próprio ventre de Sara) eu ressalto que a passagem nos chama de "filhos da promessa COMO Isaque", o que pode perfeitamente ter o sentido de "parecido" e "semelhante", não necessariamente "igual" ou "idêntico"; até porque as duas últimas opções quebrariam completamente à construção metafórica pretendida nesses versículos. Ao declarar que os filhos da solitária são quantitativamente superiores aos da que tem marido, o Espírito Santo está mostrando que os filhos da servidão vêm a ser não somente os judeus (ao contrário do que muitos por aí dão a entender), mas qualquer pessoa que não seja cristã.

Tem muito pseudo-cristão por aí se preocupando em atacar os judeus e chamá-los de Sinagoga de Satanás, porém sob o mesmo estado de servidão espiritual de Israel. Olham para os podres judaicos (que ninguém nega, tampouco as Escrituras), mas se esquecem de verificar a maneira como levam a própria vida ao lado do Criador. Se tais pessoas permanecerem como Ismael, ao invés de se transformarem em Isaque; farão companhia no inferno à multidão de judeus que tanto os incomoda.

Leandro Pereira 

sábado, 21 de abril de 2018

A IMBECILIZAÇÃO IMBECILIZANTE DE UMA IMBECIL IMBECILIZADAMENTE IMBECILIZADA


Dou uma breve olhada no Facebook e vejo que a vencedora do BBB gritou “Lula livre” ao sair. Me estranhou que, primeiro: pessoas deem importância a um dos programas mais imbecis da televisão brasileira, segundo: que se importem com a Globo e terceiro: que ela sabia exatamente o que falar ao sair de uma casa onde estava supostamente em confinamento, sem contato com o mundo de fora.
Se tem imbecil comemorando uma fala imbecil de uma imbecil num programa imbecil, dane-se. Imbecilidade não é novidade no Brasil.

Katia Ferreira

PROCURA-SE: GENTE COMUM FAZENDO VÍDEO COMUM NA INTERNET


Sou só eu mesmo, ou mais alguém sente uma certa náusea quando busca alguma informação no YouTube e precisa se deparar com o mesmo padrão de produção televisivo do qual geralmente estamos fugindo quando acessamos essa plataforma? Infelizmente, a verdade é que são poucos os que procuram conteúdo em vez de imagem; razão pela qual dificilmente encontramos canais com os quais realmente possamos nos identificar, isto é, feito por "gente como a gente". Outro dia, aliás, vi um sujeito reclamar da imagem dos vídeos do analista político Paulo Martins, sugerindo entre os comentários do canal que ele compre uma câmera melhor. Ora, para quê alguém pode querer altíssima resolução num conteúdo sobre análise política? Isso reflete ou não o vício por fotogenia e efeitos especiais que assola esta geração? Reflete ou não uma sociedade cuja concentração é dependente do uso de parâmetros televisivos que agem feito gatilho sobre sua recepção e assimilação de informações?
Quando abro o YouTube e vejo as edições dinâmicas com seus atrativos visuais, maquiagem, linguajar descolado, luz especial e pessoas forçando caras e bocas, enfim, elementos feitos para pessoas que não conseguem mais ter foco mínimo sobre nada que não possua aditivos sensoriais, nada que seja pacato e singelo... por um segundo me indago se não estou assistindo televisão. Nando Moura foi muito feliz ao dizer que esse mal atinge também os produtores, visto que boa parte dos youtubers não conseguem desenvolver qualquer raciocínio com mais de 30 segundos sem que tenham de fazer um corte na própria fala.
E mais feio ainda é testemunhar essa mesma padronização em canais teoricamente cristãos (sim, me refiro aos crentes moderninhos, incluindo aquele que se diz "o mais fundamentalista do YouTube brasileiro"). Esse quadro difere bastante, vejam só, dos canais evangélicos americanos, onde no meio de muita porcaria conseguimos avistar também muita joia preciosa que, de fato; expresse a democracia que o YouTube representa. Me refiro a crentes genuínos que, embora desejem ser ouvidos, são extremamente maduros espiritualmente para saberem que, mesmo com pouquíssimas visualizações, não devem parar de fazer o que fazem. É lindo demais vê-los empolgados e cheios de disposição em realizar algo desprovido de praticamente retorno algum no campo material. E super bacana perceber que não há qualquer esforço artificial para ser mais legal, bonito, tecnológico, carismático, descontraído ou demagogo. Os caras são o que são e ponto final, pois entendem que aquele que se aproxima do Evangelho deve vir pelo que se encontra escrito Nele, não por fatores superficiais.
Podem reparar que todos os canais que já indiquei aqui (até mesmo os que já me arrependi), possuem algo em comum: são espontâneos e administrados por gente que se preocupa muito mais com o conteúdo do que com o corte de cabelo ou uma edição arrojada (até porque a maioria deles costuma ter praticamente edição nenhuma em seu material). Vejam bem, não estou aqui militando contra a qualidade técnica que, embora na maioria das vezes seja superestimada, dependendo do contexto pode vir a ser sim, indispensável (um documentário, por exemplo). Minha birra é com a pasteurização estética que migrou da grande mídia para a internet.

Leandro Pereira