quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

RETROSPECTIVA 2017: O SEBO FECHOU




Neste ano o último sebo que existia na minha cidade fechou. No mesmo passeio, descobri também que a única banca de jornal de verdade da cidade, isto é, que não se resumia à uma barraca de recarga para celulares, tabloides e material pornô; e sim que apresentava uma ampla variedade de revistas, jornais e até mesmo livros; perdeu metade de seu tamanho original e agora está igual às demais. A não ser pelas livrarias dos shoppings da região (cujos preços são os olhos da cara), agora só restam as várias livrarias evangélicas espalhadas pela cidade que, em sua maioria, sobrevivem não pela literatura, e sim pela venda de CD's, DVD's e camisas.
O culpado pelo quadro acima é a "crise financeira" que impede que as pessoas invistam em cultura? Ou seria a carga tributária que obriga os livreiros a cobrarem um valor por determinados livros que, muitas vezes, poderia encher a despensa de uma casa?
Gostaria de concordar que isso se dê pelos dois fatores acima, mas enquanto eu vir pobre varando as noites gastando com cerveja e cigarro, pobre gastando com celular de última geração, pobre gastando com loteria e Tele Sena, pobre gastando com Playstation 550, pobre gastando com Rock in Rio, pobre gastando com roupa de marca, pobre gastando com ingressos para futebol e pobre gastando com perfume caro; jamais deixarei de enxergar o desinteresse como principal motivo para a esterilidade cultural do nosso país. Que fique claro: não sou contra o direito da pessoa fazer o que bem entender com seu dinheiro, apenas contra a velha mania vitimista de lançar sobre o governo a responsabilidade sobre nossa ignorância.

Leandro Pereira

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